WandaVision - ★ 8,5/10

Os Estúdios Marvel decidiu incluir séries televisivas na sua quarta fase. Com imensas já confirmadas, entrelaçadas com os filmes principais, WandaVision foi a primeira delas a estrear. Depois de umas quantas histórias medíocres na Netflix, que se calhar atingiram o seu nível mais baixo com Iron Fist, a série criada por Jac Schaeffer e realizada por Matt Shakman, começou por experimentar um formato diferente, revelando grande sucesso.


Encontramos Wanda (Elizabeth Olsen) e Vision (Paul Bettany) a viver uma vida relativamente pacífica, em Westview, New Jersey, apesar da morte do "sintezóide" em Infinity War, há cinco anos atrás. Inicialmente apresentado à audiência como uma sitcom da década de 50, o casal passa por umas quantas tribulações cómicas à medida que tenta viver uma vida longe do holofote, tentando esconder os seus super-poderes. Outros residentes quase que descobrem que algo se passa com este casal estrangeiro, mas são constantemente levados a crer na sua vida idílica, com nada mais que um estalar de dedos e duas gotas de suor de Wanda. No entanto, à medida que esta história familiar se desenrola, certos elementos da série começam a relevar um enredo sombrio, ameaçando acabar com a paz dos nossos heróis.


Com uma temática de escapatória da realidade, Kevin Feige, produtor executivo, propôs a ideia de apresentar cada episódio com uma homenagem a outras séries emblemáticas de várias décadas, dado que estas oferecem exactamente isso às suas audiências. Schaeffer, por sua vez, diz ter-se inspirado em Thor: Ragnarok e Legion, explicando que esses projectos quebraram os limites que uma história Marvel podia manifestar. Com esta particular mistura, vários elementos foram cuidadosamente escolhidos para proporcionar uma certa irreverência, reflectindo a estrutura de séries como I Love Lucy, Bewitched, Brady Bunch, Malcolm in the Middle, Modern Family, entre outras.

Apesar de inicialmente isto poder confundir os espectadores, houve uma preocupação em cimentar uma razão pela qual as coisas estão a ser apresentadas como estão, ao invés de o fazer apenas porque aumenta a qualidade estética. A génesis da vida perfeita suburbana veio do luto que Wanda sentia, depois de anos e anos a perder as pessoas de que mais amava. A dada altura, ela explica como quando "voltou" em Endgame, cinco anos depois da luta perdida com Thanos, todos voltaram para os seus entes queridos, excepto ela. É um lado do estalo de dedos que ainda não tinha sido mostrado à audiência, e confere um tom obscuro a uma série que se apresenta tão excessivamente colorida. Foi uma boa ideia explorar o trauma de Wanda, que precisa desesperadamente de terapia, algo que foi feito mal e porcamente em passados projectos.

Esta escuridão é aumentada aos poucos, à medida que mais é revelado sobre esta fantasia, bem como mais coisas correm mal. Quando a fantasia é ameaçada ao quebrar a quarta parede, certos elementos de como o mundo é apresentado começam a sofrer mudanças: as proporções da tela mudam, a magia começa a falhar, as tonalidades do ecrã evoluem, basicamente começam a haver falhas na matrix. Dito isto, esta estranheza apreendeu bem os espectadores, enquanto que as sequências em que aparecia a SWORD pareceram demasiado básicos e rotinários. Felizmente personagens actuadas por Teyonah Parris e Kat Dennings, que com o seu carisma e talento, mantiveram um bom nível de interesse.


Não obstante, a equipa criativa aproveitou a oportunidade episódica para apresentar personagens novas, umas das quais têm superpoderes. Por um lado, Monica Rambeau (Teyonah Parris) teve a sua transformação feita de uma maneira orgânica, e contextualiza a sua personagem ainda mais neste universo, visto que a sua origem foi em Captain Marvel.

No entanto, a personagem actuada por Evan Peters poderia ter tido mais ramificações. Ele aparece como o irmão de Wanda, Pietro, que morreu previamente em Age of Ultron. Dado a sua actuação de Peter Maximoff em edições de X-Men, e e a recente partilha dos direitos entre a Marvel e a Fox, isto poderia ter aberto uma multitude de possibilidades que introduziriam, não só mutantes, mas também mundos paralelos. Colocar um actor cuja personagem foi tão adorada pelos fãs, deixar que esta adição fosse cimentada, e depois explicá-la apressadamente, pareceu que estavam a gozar com a cara da audiência. Não havia necessidade alguma, e não trouxe nada de novo à história.


Com inúmeras camadas, comédia tanto leve como obscura, uma actuação monumentalmente brilhante de Elizabeth Olsen, e sem esquecer o material de origem, WandaVision é, sem dúvida alguma, até à data, a melhor série da Marvel Cinematic Universe. Infelizmente apenas o último episódio impediu que fosse algo perfeito, ao passar de uma história meta e conceptual, para sequências de batalha básicas e metade do tempo de antena a introduzir projectos futuros.

Feita em conjunto com o apoio das equipas de Spider-Man 3 e Doctor Strange 2, a série trouxe uma lufada de ar fresco às histórias do gigante estúdio, que apenas seria uma boa aposta continuar nos filmes.



Fotos: IMDB.com/Disney/Marvel







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