Good Girls | Temporada 1/Crónica - ★ 4/10

Poucas coisas me dão vontade de saltar episódios, a última delas, em tempos recentes, tendo sido a última temporada de "How I Met Your Mother". Não pelo final estapafúrdio que deram aos fãs, mas sim pelo resto dos episódios desse ano, que bem que podiam ter mandado para o lixo. Falando em coisas que se podiam mandar para o lixo, cometi o erro de ver "Good Girls" na Netflix.


A primeira coisa que me saltou à vista foram as três atrizes principais, que rapidamente caíram imenso na minha consideração. Christina Hendricks, Retta e Mae Whitman - alumni de três séries icónicas nesta era dourada da TV - são três mães com dificuldades financeiras, que decidem roubar o supermercado onde a personagem de Whitman trabalha. Rapidamente entendemos o que está em jogo quando as mulheres se apercebem que roubaram dinheiro de um gang estereotipadamente mexicano, que lhes dão uma decisão: ou trabalham para eles, ou morrem. Não nego que a promessa de dinheiro fácil por ser mula de carga não seja aliciante, especialmente se tivesse filhos que sustentar.

Contudo, tenho de considerar se o meu envolvimento com assassinos do submundo para não ter de trabalhar no meu emprego de ordenado mínimo, valha realmente a pena. Toda a ficção tem o seu quê de irrealismo, não foi esse o meu problema de todo; apenas achei a falta de noção destas mulheres demasiado colossal para serem levadas a sério. Cada vez que falhavam não aprendiam com os erros, e embora isso resulte em certas comédias, não funciona numa série que tem a possibilidade de uma bala no cérebro à mais mínima falha.


Logo no primeiro episódio apresentam-nos o seu entendimento de feminismo, quando a personagem de Hendricks salva a sua irmã (Whitman) de ser violada pelo seu chefe (David Hornsby). Quando esta aponta uma arma ao violador, questiona-o porque é que os homens pensam que podem fazer o que quiserem, quando quiserem. É uma boa questão, ainda por cima posta por uma mulher que descobriu há umas horas que o seu marido a anda a trair, mas perde impacto quando o violador torna-se num antagonista secundário, e a tentativa de violação é apenas mencionada mais uma mão cheia de vezes, e sempre com uma conotação cómica. A série faz um trabalho medíocre de apresentar girl power ao mostrar mulheres a tentar tomar as rédeas das suas vidas, mas mediocridade é a especialidade da criadora e produtora, Jenna Bans, da infâmia de Grey's Anatomy e Scandal. Não sei se sou só eu, mas se é para fazer um trabalho medíocre, acho que mais vale nem sequer trabalhar.


O que se anunciava como sendo uma série sobre histórias fortes, com personagens femininas fortalecidas, ficou aquém do esperado por causa da falta de desenvolvimento das suas personalidades. A única evolução que pareceu querer prender o espetador, mas que apenas foi completamente fora de contexto, foi a inexplicável tensão sexual entre Hendricks e o líder do gang mexicano (Manny Montana), um homem que esteve a cinco segundos de a matar pelo menos duas vezes. Não sei se houve mais vezes pois tive de saltar uns episódios para tentar entender no que isto ia dar. Não deu em nada.


As ditas "boas raparigas" de nada aprendem quando lhes dão a abébia da dívida estar paga, e roubam o supermercado de novo. É das raras menções em que full circle não é necessariamente a escolha acertada para acabar um capítulo (sim, porque vai ter outro). Com a promessa que as mulheres ficaram com um dente doce para o perigo, acho que o que estava a tentar ser feito era um "Breaking Bad" para mulheres, mas substituir o cancro do Walter com três hipotecas, e dar o lugar do génio dele ao sex appeal da veterana de "Mad Men" não foi claramente o suficiente para pintar isto de uma série "feminista".




Fotos: Netflix/NBC/IMDB.com





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