La Casa de Papel | Parte 3 - ★ 6,5/10

Expectativas foram bastante mistas para esta terceira parte da grande saga que se tornou "La Casa de Papel". Os nossos irmãos ibéricos criaram uma jornada que agarrou audiências rapidamente, não só pela acção constante e viravoltas inesperadas, mas porque é uma história cada vez mais relevante nos dias de hoje: uma história sobre o papel que dita quem sobrevive na nossa sociedade, e os que estão fartos que o sistema seja em redor dele. Contudo, parte dos fãs viram-se receosos que um segundo capítulo fosse desnecessário, como muitas vezes acontece. Como tal, Álex Pina, veterano de séries de acção criminal, decidiu dividir de novo a temporada em duas partes, e os resultados foram bastante lucrativos.


Os heróis espanhóis vêem-se em águas internacionais, tendo conseguido escapar ao assalto à Casa da Moeda. Depois de dois anos e meio fugidos à Europol, sendo das pessoas mais procuradas do mundo, apesar de terem a opinião pública do lado deles, Rio (Miguel Herrán) é capturado quando se separa de Tokyo (Úrsula Corberó). O Professor (Álvaro Morte) vê-se obrigado a salvá-lo das mãos de de definitiva tortura, e decide reunir a equipa. Para esta missão, é usado um antigo plano do seu falecido irmão, Berlin, para assaltar o Banco de Espanha. Quando o assalto começa, são usados os mesmos modos de narrativa a que estamos habituados. Como tal vemos duas linhas do tempo concorrentes à principal: uma que nos mostra a origem do plano do novo assalto, e outra que nos conta como o novo grupo se juntou e se preparou, com a introdução de cinco novos membros na equipa.

Apesar da personagem de Tokyo continuar insuportável, mais ainda agora que o seu namorado foi capturado, continuamos com actuações fortíssimas por parte dos actores. Conseguiram dar profundidade às suas personalidades ao mostrar-lhes como as relações entre si mudaram ao longo dos anos. É refrescante ver como os anos os mudaram, para bem ou para pior, ao invés de fazer um novo assalto com as mesmas pessoas monotónicas.


No entanto, a polícia aprendeu com os erros passados. Os assaltantes, desta vez, têm do seu lado a ex-inspectora Raquel Murillo (Itziar Ituño), agora auto-entitulada de Lisboa. Por isso mesmo, é introduzida a personagem de Alicia (Najwa Nimri), a inspectora à frente do caso que interrogou e torturou Rio. Há algo de horripilante ver uma mulher extremamente grávida a fumar e a não ter qualquer obstáculo ético ou moral em fazer mal a outros seres-humanos. Chega até a ter algum prazer em fazê-lo, e tanto isso como a sua tenácia meteram-na no holofote da série.


A acção, apesar de por vezes gratuita, continua consistente. Usarem episódios de 45 minutos em vez de 70 ajudou imenso para condensar a história e criar uma narrativa mais estável. Além disso, ter menos episódios, significa encher menos chouriço. Por enquanto, parece resultar, dado que o decorrer da série é, e sempre será, um longo jogo de xadrez, na medida em que ambas as facções querem sempre estar uns passos à frente da outra.

É uma acção intensa, sim. Por vezes parece tomar conta do episódio inteiro, sim. Mas é uma acção única, estrondosa, e invulgar. Entranha-se nas vidas das personagens com tanta naturalidade e de um modo tão realista, que acaba por nos interessar imenso o que estas pessoas vão fazer a seguir. As suas motivações apelam às nossas. Isto tudo porque alguém pensou num plano destes. Apesar do travo exagerado, comum a todas as séries de drama, alguém, de facto, pensou "como irei assaltar o Banco de Espanha", e relatou todos os detalhes que precisariam que corresse bem. É a verossimilhança que ganha a audiência.


A quarta parte irá estrear em 2020, com já mais duas últimas planeadas. É difícil de acreditar que haja história suficiente para contar, mas se há algo que nos explicaram nestes episódios, é que estes Robin's dos Bosques irão estar sempre em fuga. Enquanto isso for verdade, haverá sempre mais história. E por enquanto, creio que podemos depositar a nossa confiança na equipa por detrás desta série, que até agora, não desiludiram.





Fotos: IMDB.com/Netflix







Comentários