Re:Zero | Temporada 2, Parte 1 - ★ 6,5/10

Quatro anos depois de conhecer Subaru e a sua rigorosa resiliência, finalmente nos foi dada a continuação desta história captivante. A primeira parte da segunda temporada adapta mais capítulos duma narrativa já extremamente avançada, que se tornou numa mais valia para quem queria acompanhar as aventuras deste herói, mas não tem a maior paciência do mundo para ler capítulos longos. Light novels não são para toda a gente, mas mesmo com mais treze episódios, certas fendas começaram a revelar-se.


Directamente depois da batalha com a Baleia, Subaru descobre que Rem foi "devorada" na volta à cidade. A sua habilidade de Retorno incapaz de o ajudar, ele desesperadamente procura outras maneiras de ajudá-la. Novas personagens são introduzidas num novo espaço chamado "Santuário", apesar de ser o cemitério das predilectas bruxas. Echidna, bruxa da Avareza, interessa-se por Subaru, e dá-lhe a ele e a Emilia a possibilidade de abrir o Santuário.

Apesar de passar o primeiro teste, Emilia emerge traumatizada. A história sempre teve um factor de mistério à mistura, e a razão pelo colapso nervoso de Emilia nunca é explicado. O mistério é uma coisa difícil com que se lidar, quando se escreve algo. Neste caso, mais difícil o é, visto que é um elemento fulcral na construção do mundo, bem como na experiência única da personagem principal. No entanto, esta nova dose episódica impõe mais perguntas que respostas. Além disso, cada resposta vem com mais perguntas, e este padrão aumenta exponencialmente.


É a primeira vez que vemos Subaru completamente incapaz de salvar quem quer, e de conseguir ultrapassar um checkpoint. Compreensivelmente começa a perder a sanidade, depois de, não só morrer inúmeras vezes, mas também de ser torturado mais que nunca. O peso de salvar os outros começa a evidenciar-se, especialmente quando lhe dizem que não é o trabalho dele. É refrescante ver um mero humano com um complexo de herói, sem quaisquer habilidades especiais, se não tenácia e paixão.

Com a necessidade de ajudar os outros a aumentar, a diminuir temos o cuidado próprio, um defeito fácil de se identificar com. A falta deste cuidado ajuda para catalisar o colapso que Subaru sofre. Não é como outros animés, com rupturas instantâneas e centradas num evento. Subaru é mais realista neste aspecto, em que o culminar de eventos é o que fá-lo explodir.


Apesar da animação fantástica e minuciosa, a incapacidade da narrativa ser empurrada foi um problema. Depois de quatro episódios a introduzir as particularidades do Santuário e deste Retorno, a história estagnou rapidamente. Pela primeira vez na sua aventura, Subaru não consegue encontrar um caminho em que não aconteça alguma tragédia. Isto é das poucas coisas que é explicada eventualmente, e foi, de facto, para puxar o jovem adolescente ao seu limite.

No entanto, os círculos nos quais ele anda, durante mais de metade desta parte, pouco revelaram. Além disso, como já referenciado, o pouco que revelavam apenas trazia mais questões. O encontro tão antecipado de Subaru com Satella foi inúmeras vezes mais confuso e inconsistente do que foi satisfatório.


Por outro lado, esta história tem dezenas mais de capítulos para serem adaptados no futuro. Não obstante, o cenário pandémico global foi o que atrasou a equipa em mais de seis meses, tendo sido anunciada para estrear previamente em Abril deste ano. Possivelmente também deve ter tido peso na decisão de dividir a temporada em duas partes. Dada esta estrutura, ainda pode haver esperança que o que foi imposto agora irá ser resolvido posteriormente. A primeira temporada não desiludiu, e tirando uma lição deste belo mundo estranho que vimos, há que ter esperança.




Fotos: IMDB.com/Crunchyroll/White Fox









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