The Haunting of Bly Manor - ★ 6/10

Mike Flanagan, cinematógrafo de renome de Absentia, Oculus, e The Haunting of Hill House, decidiu adaptar outra história de terror, desta vez de Henry James. Antologicamente relacionado com Hill House, The Haunting of Bly Manor sofre uma mudança de cenário, substituindo os subúrbios americanos de Boston, pela pradaria Inglesa.

Uma mansão assombrada, desta vez com residentes permanentes, ameaça a vida relativamente fácil de um novo conjunto de personagens complexas. Mas apesar destas mudanças depois de dois anos de uma das melhores séries de terror modernas, Bly Manor provou-se difícil de evocar o mesmo estilo de mistério e maravilha que o seu antecessor.


Dani (Victoria Pedretti) é contratada por Henry (Henry Thomas) para ser aia dos seus sobrinhos órfãos. Estes vivem com outros 3 ajudantes adultos em Bly Manor, uma mansão no meio do nada. Dani atravessa o Oceano, desde os Estados Unidos, com os seus próprios fantasmas. Nesta frase, refiro-me aos fantasmas que Steve mencionou ao longo de Hill House, no sentido em que um fantasma pode ser um medo, um arrependimento, ou um desejo.

Dito isto, para uma audiência que teve um curso intensivo em elementos sobrenaturais, tornou-se relativamente fácil definir desde o início, o que era ou não uma projecção das personagens. Isto, obviamente, tirou alguma magia e imersão da história, por mais interessante que esta fosse. Várias cenas e caminhos por onde a história se aventurava tornaram-se previsíveis, ao ponto em que pouco chocava a audiência. O estilo de revelação cuidada revelou-se insípido nas descobertas mais importantes.


Ternuramente os residentes da casa revelavam o seu passado. Com um elenco forte, não se usaram flashbacks para aprofundá-los, mas sim empurrando-os contra situações que os deixavam de joelhos. Por um lado, a assombração passou para segundo plano nuns quantos episódios, mas por outro, tivemos das melhores representações do ano, por parte de T'Nia Miller e Rahul Kohli.

A assombração em si ]e também aprofundada por vias diferentes que há dois anos. As complexidades do que é ser um fantasma foram melhor explicadas, à medida que as próprias entidades experimentavam com este novo plano de existência. Uma simetria começa a ser explorada, tanto na substância da narrativa, como na cenografia, passando tanto pelo trabalho de câmara, como pela posição dos elementos em foco.


A força gravitacional que prendia os falecidos à mansão foi melhor explicada. Uma provocação às leis de deus foi cometida, subtilmente amaldiçoando o criminoso original. Nada foi deixado à imaginação, como se as leis da física tivessem sido refeitas, e restrigindo as tecnicalidades do que um fantasma pode fazer. Quando recebemos uma experiência com regras tão cimentadas, é difícil deixarmo-nos perder na sua imersão. É mais fácil entender porque as coisas que estão acontecer, mas ao mesmo tempo, é criado um afastamento entre os protagonistas e a audiência. A ficção perde verosimilhança, e o contar da história torna-se quase documental.


É impossível não comparar Bly Manor a Hill House. Vindo do mesmo realizador, com parte dos mesmos actores em foco. Ainda mais difícil o é, com a mesma banda sonora, tão excelente, mas tão representativa da família Crain.

Como uma série sem a existência do antecessor, funciona bem. Mas para uma audiência já experienciada, ficou aquém de "perfeitamente esplêndida". A maior lição que podemos tirar, poderá ser que quando fazemos algo de grandioso, provavelmente deveríamos seguir em frente, e não tentar fazer a mesma coisa.





Fotos: IMDB.com/Netflix






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