The Magicians | Temporada 5 - ★ 7/10

Apesar da morte de Quentin ter parecido o fechar de um capítulo, The Magicians regressou à SyFy com uma quinta temporada. Houve uma linha de tempo estranha no que o canal quis fazer com a série, e nem toda a informação foi pública. Anunciaram a quinta parte perto da estreia da quarta, já sabendo que Jason Ralph iria sair da série. Contudo, apenas anunciaram que estes episódios seriam os finais a meio deles. Se o final foi escrito à pressa ou não, é uma dúvida que até á data não foi extinguida. Mesmo assim, nem todas as histórias exploradas foram más.


Neste ano recebemos dois pontos fulcrais que ocasionalmente entrelaçam-se. Num deles, com a magia desgovernada e assoberbante, Fillory avançou 300 anos no futuro acidentalmente, o que faz com que Margo e Eliot (Summer Bishil e Hale Appleman) sintam a necessidade salvar os seus amigos no passado. Noutra linha de narrativa, Julia e Alice (Stella Maeve e Olivia Dudley), desoladas depois de perderem Quentin, procuram conforto por vias invulgares.

A visão da série sobre o que é o amor foi posta em grande foco com esta estrutura. Nas suas convergências, momentos ternos e orgânicos foram excelentemente feitos, com as dinâmicas das personagens em perfeita sintonia. Em particular, na despedida final de Quentin, Alice e Eliot admitem o seu amor mútuo pelo falecido, com Eliot mencionando a sua vida na linha de tempo alternativa. Além de ser um aceno fulcral a anos passados, hábito que sempre concedeu consistência e substância à história, Alice admite que nunca sentiu qualquer inveja, pois "[ela] nunca iria exigir a Quentin que ele amasse apenas a ela". Dizendo tudo com poucas palavras, o coração da série encontrou-se nestas instâncias. A liberdade amorosa representada ao longo dos anos foi nada menos do que absolutamente refrescante, sem nunca perder o realismo. Uma maneira natural de manter a série moderna sem perder valores tradicionais.


Se há coisa que The Magicians nunca deixou de ser, foi terno. Desde a consumação antropomórfica de Quentin e Alice na primeira temporada, até ao apocalipse deste ano. Com toda a acção que engloba uma Lua a cair num planeta, os escritores ainda tiveram o cuidado de não esquecer as personalidades de quem estava envolvido na situação. Face a morte certa, as personagens tiveram a delicadeza de se despedirem no último segundo umas das outras, de maneira a que fizesse justiça ao que cada uma delas passou.

No entanto, devo mencionar que este sendo o melhor episódio da série, poderia talvez ter sido um dos climáticos, e o facto de o terem metido a meio, tenha talvez tido a ver com a decisão de acabar a série. Felizmente deu para ver como foi a resolução do fim do mundo, como uma integridade estrutural tão forte que até conteu comédia para diluir a tensão massiva. Com uma coreografia narrativa nada fácil de cumprir, e fotografia invulgarmente fantástica da parte do veterano Thomas Burstyn, apenas podemos imaginar que mais poderiam ter feito com o sexto episódio.


Na segunda metade voltamos a Fillory, que tem os seus problemas ainda por resolver. O suspanse criado para o que ameaçava este mundo mágico, e as expectativas para o seu futuro, não foram completamente apaziguadas, dada a pressa com que foram esquecidos elementos recentemente adicionados. É claro como o dia os frutos que estes elementos iriam produzir, muitos deles particularmente interessantes. Contudo, pouco tempo houve para eles amadurecerem. Pessoas como Plum Chatwin, o Casal, e Eliphas, que ameaçavam virar do avesso o paradigma mágico do mundo, nunca chegaram a ser devidamente exploradas.

Mas nem veio tudo por mal. Ao ter pouco tempo para seguir numa via nova, os escritores focaram-se em voltar às raízes, usando truques antigos como referências a Crónicas de Nárnia, e usando personagens terciárias pouco mencionadas, de modo a tocar um pouco em todos os pontos, sem deixar nada nem ninguém de fora.


Consistentemente repleto de magia e as suas complexidades, em iguais partes avassalador e fantástico, o que parecia vir a ser um final fraco, tornou-se num clímax forte. Nunca esquecendo de onde vieram, The Magicians tornou-se provavelmente na melhor série de SyFy. Embora medíocre numa ou outra instância, nunca houve lacunas na história, e sempre a levaram num caminho orgânico. Um caminho do qual Quentin Coldwater poderia ficar orgulhoso. Deixando novas aventuras e missões a fazer, a história dos nossos heróis continuará - simplesmente não estaremos lá para vê-las.





Fotos: IMDB.com/SyFy






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