Após cinco anos em produção perpétua, a Fox chegou-nos com o 13º filme na saga dos X-Men. Com a realização de Josh Boone, autor audiovisual de The Fault in Our Stars, esta película experimentou levar mutantes novos pela via do horror. No entanto, a instabilidade de produção, e a indecisão no género do filme, levou a muitos problemas, numa história que poderia ter mudado completamente o paradigma dos super-heróis.
Depois da reserva da sua família ter sido dizimada por uma entidade desconhecida, Dani (Blu Hunt) é recolhida e levada para uma instituição desconhecida, que se auto-proclama em ajudar jovens mutantes. Nesta instituição no meio de nenhures, protegida por campos de forças, ela é dada a conhecer aos outros jovens residentes, representados por um elenco de jovens conhecido.
Dito isto, foi um pouco demasiado typecast contratar a Maisie Williams para fazer de mutante com o poder de um lobisomem. Como se isto não arruinasse a imersão, a actriz não se consegue decidir entre um sotaque escocês, americano, ou londrino. Contudo, Anya Taylor-Joy conseguiu ter uma representação surpreendentemente boa, tirando o holofote aos papéis mais principais.
Com o luto pelo pai feito em dois dias, Dani encontra conforto em Rahne (Maisie Williams). Elas apaixonam-se loucamente uma pela outra depois de terem três conversas, numa das quais Rahne impede Dani de se suicidar, ficando a questão completamente resolvida. Enquanto isto acontece, vemos o passado dos outros jovens, à medida que a instituição aparenta ser assombrada por visões de dito passado. Não há nada de original neles, muito menos nos veículos visuais usados para mostrar as suas respectivas angústias. Colocar um rapaz em frente a um espelho partido, chorando de arrependimento, dificilmente se pode chamar de refrescante, e facilmente se pode chamar de gasto. Com pressa se explicaram as complexidades de cada um dos residentes, e com pressa se desvaneceu o interesse.
Apesar de ser um filme de super-heróis, numa era repleta de filmes de super-heróis, os criadores publicitaram-no como sendo um filme de terror. De facto, tem elementos de terror, por mais básicos que o sejam. No entanto, o valor de um filme de terror não se quantifica pela quantidade de jumpscares e ilusões fantasmagóricas. O seu valor rege-se pela atmosfera que consegue criar, pela profundidade da imersão. Tudo o resto são adornos de suporte.
The New Mutants fixou-se demasiado nestes últimos, criando um cenário inconsistente e juvenil, medíocre para algo que esteve vários anos a ser feito. Não obstante, a explicação e consequente resolução para o assombramento fica resolvido rapidamente, deixando pouco por onde pegar para possíveis sequelas, algo nas esperanças dos produtores.
A única coisa que serviu para tentar redimir foi o acto climático. A personagem de Taylor-Joy teve um confronto final digno de fazer parte desta saga icónica. Dani, a principal, mal teve papel. Apesar de ser quem empurra a narrativa, Magik recebeu mais foco durante três dos cinco actos, deixando a personagem de Hunt dissipar-se para um canto esquecível.
Com a compra da Fox por parte da Disney, os direitos de X-Men passaram de volta para Marvel Cinematic Universe, fechando a porta ao futuro destes novos mutantes. Por um lado, talvez tenha sido um mal que veio por bem, visto que as aventuras dos mutantes já estavam a dar poucos frutos. Depois de Logan, The New Mutants não foi a melhor aposta. Serviu de grande exemplo de como péssima execução consegue desperdiçar material de origem tão repleto de grandes histórias.
Fotos: IMDB.com/20th Century Fox





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