We Are Who We Are - ★ 5,5/10

Apesar do currículo um tanto vasto de Luca Guadagnino, o mundo ocidental virou do avesso quando Call me by Your Name atingiu os cinemas. Uma história de um romance entre um homem adulto e um adolescente menor de idade ganhou-lhe grande aclamação, e na mesma nota de temas pouco falados e modernos, o realizador colaborou com a HBO para fazer uma minissérie. Publicitada sem mais não, a experimentação e o estilo caricato do autor provou ser mais detrimental do que benéfico.


Fraser (Jack Dylan Grazer) é um jovem adolescente que é forçado a mudar-se para uma base militar em Itália, perto de Veneza, dado o novo posto de trabalho da mãe (Chloë Sevigny) como Comandante de Guarnição. Constantemente zangado com a sua vida, ele passa os seus dias a beber álcool (com completa aprovação paternal) e a descarregar as suas angústias violentamente nas suas mães. A estrutura episódica destaca-se, focando o primeiro episódio no jovem rapaz, e o segundo em Caitlin (Jordan Cristine Seamón), a sua vizinha e eventual amiga.

Contudo, este padrão é abandonado no terceiro episódio. Inicialmente com grande desdém um pelo outro, os dois jovens tornam-se inexplicadamente amigos íntimos depois de Fraser descobrir a fluidez de género de Caitlin. Apesar de ele próprio ter incertezas na sua sexualidade, a aproximação súbita e intensa aparenta ser forçada, e esta rapidez desanimadora torna-se prevalente na série. É de se esperar que duas pessoas dentro do armário encontrem compreensão entre elas, mas daí a partilharem uma cama e experimentarem fisicamente um com o outro num espaço de dois dias e três conversas, é algo que atinge a audiência dum modo estranho.


Existe um elemento de experimentação em grande foco nas histórias representadas. Personagens são vistas a dar-se a noções novas de sexualidade e género, bem como de religião e casamento. Estes experimentos são uma qualidade inerente à adolescência. Por vezes encontra-se em adultos, especialmente quando estes não se deram tanto a tal nos seus anos formadores, como a série evidencia. Por outro lado, pode também significar uma certa jovialidade nas personagens com mais idade.

Esta experimentação também passa pela fotografia e cinematografia. Mudanças repentinas de cores e luzes são usadas para espelhar mudanças repentinas na perspectiva das pessoas em questão. No entanto, com um diálogo medíocre e acção ilógica face às situações que aparecem, estas transições e sequências técnicas criam forte inconsistência.


Sobre o tema de adolescência, a maravilha e descoberta característica desta idade é fulcral. Na série, é especialmente evidenciada com o uso de estupefacientes e abertura sexual. Por vezes demasiado exagerada, também existe violência física e mental, fruto da intensidade com que os jovens vivem. Fraser, em particular, tem um constante desacordo com a mãe biológica, indo tão longe ao ponto de lhe dar chapadas e chamar-lhe nomes diariamente. Sarah, a dita cuja, apenas se esforça para compreender o filho, ao ponto de aprovar que o menor tenha uma possível relação sexual com um homem de 30 anos (um padrão preocupante nos trabalhos de Guadagnino).

O luto também entra nas suas vidas, de se esperar visto o cenário militar. Contudo, apesar da expectativa de estranheza face a tragédia, as consequentes reacções foram desnecessariamente exageradas, se não um tanto rebuscadas.


Há que ter em conta que o tratamento de temas específicos irá requerir um trabalho também único. Se há coisa que Guadagnino tem, é uma voz individual. Copulada com materiais substancialmente bons, como o elenco experienciado, e a cidade Italiana de fundo, não havia qualquer razão para isto ficar aquém do esperado. Talvez tenha sido a sua vontade de criar a sua própria Mary Sue, ou o contexto militar que aparentou ter sido escrito por alguém com apenas uma ideia vaga sobre como este funciona, mas foram demasiadas coisas a correr mal, e as boas não equilibraram a balança o suficiente. 





Fotos: IMDB.com/HBO







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