Birds of Prey (and the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn) - ★ 6,5/10

Depois de meia dúzia de filmes um tanto ou quanto duvidosos, a DC insiste em fazer competição com a também medíocre Marvel, e decidiu ir um passo à frente, ao pegar numa equipa de super-heroínas: Birds of Prey. Apesar da baixa qualidade de Suicide Squad, Margot Robbie destacou-se no papel de Harley Quinn - em grande contraste com o Joker de Jared Leto. A actriz lidera este filme, que diga-se de passagem que foi o melhor filme do estúdio até à data. Tinha tudo para correr mal, e, no entanto, não foi de todo esse o caso.

Harley Quinn está recentemente solteira. Depois do Joker lhe ter dado com os pés, a jovem vilã tem agora um alvo nas costas, de todas as pessoas que ela injustiçou. Metendo-se em sarilhos dada a sua personalidade caótica, ela encontra um antagonista na personagem de Ewan McGregor. No meio da chantagem que este lhe faz, ela também acaba por cruzar caminhos com umas quantas personagens femininas, necessário para um filme sem homens no foco. Já que "emancipação" está no título do filme, seria de esperar vermos uma nova face da personagem, algo motivado pela sua necessidade de depender em outras pessoas, mas que acaba por perceber que não precisa de depender de ninguém se não ela própria.
Mas há uma coisa que ainda se encontra em falta em filmes deste subgénero: o balanço entre boa narrativa, e visuais atraentes. Quando este balanço oscila demasiado para um lado ou para outro, acabamos com filmes e séries bastante medíocres, e acaba por haver mais quantidade do que qualidade, consequentemente inferindo uma conotação negativa neste novo oceano de super-heróis. Não obstante, uma audiência experienciada não gosta que certos elementos lhes sejam forçados em cima, quando já foi provado que é possível fazê-lo de uma maneira orgânica. Não é necessário publicitar sem mais não que este filme é pesado em poder feminino, quando podem simplesmente mostrar esse poder. The Queen's Gambit, The Magicians, Enola Holmes, são grandes exemplos recentes disto. Birds of Prey esteve muito perto de arruinar este tema no primeiro acto, mas apesar de um início instável, e várias complicações debativelmente desnecessárias, o argumento parece conseguir fazer justiça às suas personagens femininas.

Colaborador veterano de Darren Aronofsky e Jon Favreau, este filme deve a sua cinematografia fantástica a Matthe Libatique. Copulada com realização e cenografia excelentes, as cores e sequências de acção entram numa coreografia invejável, ambas partes excêntrico e realistas. Harley não tem super-poderes, e como tal, muito facilmente as lutas e intrigas podiam ter ficado áquem do esperado. Não foi de todo este o caso; em particular, a chegada de Harley à esquadra da polícia é bem capaz de ser a melhor sequência de acção do ano, enquadrando perfeitamente o espírito anárquico da vilã. Desta maneira, também é feita uma ligeira mudança na sua personalidade, atravessando a barreira de má da fita para anti-heroína fora-da-lei.
É apenas lastimável que nos entretantos de emancipá-la, as outras mulheres que encontram um rumo quando não o pareciam ter, o filme não toma tempo para explorar as suas vidas. Não é um factor muito desanimador, até porque assim abre a porta a uma sequela que se foque nesta nova equipa de oprimidas da sociedade.

Birds of Prey é estreado numa era que vê um novo patamar na luta das mulheres pela igualdade de género. Apesar de um argumento inconsistente, a sua substância e estrutura reflectem questões relevantes, servindo também de exemplo em como se pode fazer ficção pesada no sexo feminino, sem ter de o mencionar a cada cinco minutos. Superando expectativas baixas, o filme atreve-se a ser o melhor do universo da DC até à data. Esperemos que não estraguem tudo na sequela de Suicide Squad.

Fotos: IMDB.com/Warner Bros.







Comentários