Archer | Temporada 11 - ★ 5/10

Depois de três temporadas que se tornavam exponencialmente banais, Adam Reed decidiu voltar à história principal de Archer. Com apenas oito episódios curtos, pouco se passou neste 11º ano, e tanto os lucros como o número de audiência reflectiu a qualidade decrescente desta animação outrora tão amada e caricata.


Depois dos eventos de Los Angeles, Archer (H. Jon Benjamin) encontra-se em Nova Iorque, três meses depois do seu coma de três anos. Fisicamente debilitado, vê-se só e miserável, dado como o seu círculo de colegas, família e amigos, seguiram em frente sem ele. Não só tempo passou, como eles próprios conseguiram tornar-se mais saudáveis e produtivos sem a presença negativa do espião. Embora Archer queira juntar-se de novo à agência, que encontra-se renovada e estranhamente num regime de freelance, ele descobre que vai ter de se adaptar a muito mais do que a sua nova bengala tecnologicamente alterada.


Sterling passou um bom par de episódios mostrando-nos uma nova faceta da sua personalidade, uma mais humilde e introvertida. Depois da sua longa hibernação, ele tenta voltar ao seu lugar de líder de equipa, apenas para ser renegado constantemente. Apesar disto, não houve uma execução eficaz no desenvolvimento do seu carácter, apenas reutilizando as mesmas piadas e mesmos clichés que há três anos atrás. As temporadas do coma serviram para nos mostrar que a dinâmica do grupo principal funciona com um vasto número de espaços e tribulações diferentes, mas no entanto, o que se esperava ser uma viragem fresca ao vê-los a todos no presente, acabou a ser extremamente banal. À medida que os episódios passam, estes novos desenvolvimentos e narrativas revertem para um lugar básico e gasto.

Não obstante, um bom ponto narrativo desta temporada poderia ter sido o crescer da filha de Archer, Abbiejean. Por alguma razão, apenas um episódio foi centrado à volta da criança de agora 5 anos. Lana (Aisha Tyler), sua mãe, nada caracteristicamente decidiu mandar a sua filha para um colégio interno na Suiça, embora tenham sido exactamente estas acções que criaram muitas da neuroses de Sterling na sua juventude. Além disso, agora casada, fez com que o seu novo marido preenchesse o papel de pai a A.J. Por um lado, isto poderia trazer um sentimento desolador ao nosso antiherói, e fazer alguma comédia negra com o assunto, mas isto é varrido para debaixo do tapete como se fosse uma coisa perfeitamente normal e comum de se fazer. A razão pela qual isto ser estranho, é que a rapariga era provavelmente a única pessoa por quem Archer daria a sua vida, e este amor único foi completamente esquecido para dar lugar a risos básicos. Houve várias oportunidades assim com umas quantas personagens, e todas foram deitadas pela janela fora.


Embora tenham havido boas piadas e animação fantástica, Archer tentou voltar às origens da pior maneira: ao reciclar tudo o que já havia feito, negando três anos de desenvolvimento que poderiam ter sido aproveitados para fazer algo novo.

Em conclusão, das duas uma: ou estas expirações nasais são sinal que deveriam voltar a fazer aventuras paralelas, ou são sinal que a série já deu o que tinha a dar. Com menos de uma dezena de capítulos de menos de meia hora, é bem difícil opinar sobre esse assunto.



Fotos: FX/IMDB.com







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