Euphoria | Fuck Anyone Who's Not a Sea Blob - ★ 8/10

Estreeou o segundo episódio de intermissão de Euphoria na HBO. Mais uma vez desancorado de temporadas, este capítulo especial centra-se em Jules. Realizado por Sam Levinson, criador da série, foi o primeiro que não foi apenas escrito por ele - tirando criatividade da sua depressão fomentada pela pandemia, Hunter Schafer juntou-se à equipa do argumento.

Com surpreendente profundidade e intimidade inigualável, "Fuck Anyone Who's not a Sea Blob" serviu para desempacotar vários temas relacionados com a protagonista secundária.


Pouco depois de deixar Rue (Zendaya) na estação de comboio, Jules encontra-se em terapia, revelando que a sua reacção intoxicada não a levou à cidade. Nesta sessão, a adolescente começa por reflectir o passado meio ano, contando que a sua identidade pode não estar tão bem cimentada e definida quanto pensara. A sua terapeuta, Dra. Mandy Nichols (Lauren Weedman), faz um papel similar ao de Ali no episódio passado, ou se calhar vice-versa, dado que agora a acção decorre num contexto profissional. A médica foca-se em levar Jules às suas próprias conclusões, sobre si mesma, e as suas relações.


A adolescente começa por dizer que está a pensar em parar com o tratamento hormonal. Isto leva a conversa por uma via em que ela tenta definir a sua identidade de género. No seu devaneio, explica como se apercebeu que tem definido a sua feminilidade em relação aos homens na sua vida. Desta maneira, Jules explica uns quantos eventos durante a sua relação com Rue, que previamente não tinha sido mostrado à audiência. Em particular, como o seu pai tentou que ela reconectasse com a sua mãe afastada, quando esta tentou ficar sóbria. Não nos era sabido do seu vício, e assim mostram-nos que a rapariga não era nenhuma estranha à condição da sua namorada. No entanto, dada a sua ingenuidade, não se apercebeu do quanto projectou nela, contando como a dependência da sua sobriedade nela lhe causou tremenda pressão. Tanto esta reacção, como a maneira como Jules chegou a esta conclusão na terapia, foram dotadas de um conhecimento imenso, com uma escrita extremamente realista e impecável.

Criativamente, enquadraram estas instâncias na vida da personagem central com a cinematografia. As lacunas preenchidas envolveram explicar certas sequências de episódios passados, puxando por um plano mais imaginativo que o capítulo anterior. Jules admite que ainda tem sentimentos pelo rapaz que veio a descobrir que era o Nate (Jacob Elrodi), porque, segundo ela, "todas as relações que teve eram 50% na sua cabeça". Uma sequência erótica, trocando entre Jacob Elrodi e Jayden Marcos no papel de Nate/Tyler, foi excelentemente filmada, e, entre outras quantas, serviu para convidar a audiência a presenciar várias facetas da psique da protagonista.


Em iguais partes de intensa e íntima, Hunter Schafer conseguiu evoluir a sua personagem numa mera hora, com uma actuação estupenda e escrita excepcional. Assim fecharam a intermissão da série, enquanto nos aproximamos da estreia da segunda temporada. Com tanta imaginação e introspecção, é impossível não se ser optimista com o futuro deste drama adolescente.



Fotos: IMDB.com/HBO







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