Depois de bons filmes com base na Indonésia, onde vivia, Gareth Evans voltou ao Ocidente com a série Gangs of London. Produzido pela Sky Studios, com um elenco de luxo, embora uma equipa técnica sem grandes créditos, a série superou expectativas, puxando os limites regidos pelos géneros de crime e acção.
Sean Wallace (Joe Cole) tenta encher os sapatos do seu pai como mafioso londrino, quando este é inesperadamente assassinado sob circunstâncias misteriosas. Poderosos durante décadas, esta família vê a sua influência a fragmentar-se, à medida que a paranoia e ansiedade aumentam por estarem às escuras face a este homícidio. A família é também composta pelos Dumanis, que criaram um império de crime com os Wallace. No entanto, cicatrizes antigas aumentam as tensões, enquanto que ambas as partes se esforçam por manter o seu poderio sob os restantes grupos mafiosos. Não obstante, Ṣọpẹ Dìrísù interpreta Elliot Finch, um polícia disfarçado como criminoso que tenta trazer os Wallace abaixo por dentro.
Hoje em dia as televisões estão saturadas de séries criminais com centenas de episódios, como CSI, NCIS, e seus inúmeros spin-offs exactamente iguais. São séries que seguem o padrão de "monster of the week", em que cada episódio tem um caso e as personagens têm pouco ou nenhum desenvolvimento. Quanto a crime organizado no presente tempo, apenas vale a pena mencionar Breaking Bad, Suburra, e o primeiro ano de La Casa de Papel. Também é de se notar que estas últimas são escassas na montanha de séries televisivas nesta era dourada. Como tal, Gangs of London destaca-se dos demais e sobe ao nível dos grandes, ao apostar numa cinematografia fantástica, que perfeitamente encapsula os pontos de vista das várias personagens diferentes, como o alto risco que permea a narrativa. Além disso, a estética de vida de luxo usada cria uma justaposição interessante com personalidades à beira de um ataque de nervos.
Sendo uma série centrada em crime e máfia, seria de esperar uns quantos tiroteios e homicídios. Vendo Sean queimar vivo um nómada Galês no primeiro episódio serviu para incutir a série com um tom bastante negro. O que não se esperava eram sequências de acção tão sublimes. Embora uma pessoa possa ponderar se seriam todas elas necessárias (existe uma em cada episódio), é inegável que a execução foi perfeita. Com o nível suficiente de horroríficas, estas sequências foram cruciais para explicar o quão imperdoável e fatal é o mundo do crime Londrino, e o quanto está em jogo para as personagens em questão.
Em particular, dois confrontos destacaram-se imenso: o primeiro foi o tiro a Elliot que teve a honra de conter um plano contínuo, sem cortes, de três minutos. A coreografia extremamente complexa, a tensão estrondosa, e o papel de Michelle Fairley foram exuberantes. O outro foi o quinto episódio, agora conhecido como o "Cerco Galês", que foi dedicado a consequências do homícidio principal, envolvendo ninguém do elenco principal, e trocando narrativa por profundidade nas personagens.
No entanto, depois de muitos episódios fortíssimos em pressão e mistério, os dois últimos ficaram àquem do esperado. Continuam com uma fotografia fantástica, e a responder a várias questões que um espectador teria até lá. Mas a resolução de umas quantas linhas narrativas foram se calhar um tanto ou quanto rebuscadas.
Além disso, a AMC comprou direitos de distribuição nos EUA, em troca de se juntar à produção, para produzir uma segunda temporada. A autora de Breaking Bad e The Walking Dead pode se calhar ter sobreestimado as pontas por onde poderia pagar, dada a quantidade de mortes do elenco principal. Esperemos para ver.
Fotos: IMDB.com/Sky Atlantic





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