Depois de projectos exageradamente dramáticos, Patrick Liu (também creditado como Kuang Hui-Liu) quis fazer um filme baseado nos seus anos de adolescente. Publicitado como um grande filme gay asiático, o realizador contou à Times que a sua intenção inicial era apenas contar uma história pessoal, e que tudo o resto era por acaso que aconteceu assim.
Com um custo de produção pequeno, esta história pesada em narrativa conta uma história individual, com uma experiência universal.
Chang Jia-Han (Edward Chen) é um jovem estudante de 17 anos, em Taiwan no ano de 1987. Pouco depois do levantamento da lei marcial da ilha, uma nova era apresenta-se na possibilidade de liberdade de expressão, mas com ainda algumas restrições. É neste panorama politico-social que o amigável Jia-Han conhece Wang Po-Te, ou "Birdy" (Jing-Hua Tseng), com quem rapidamente forma uma amizade, embora os seus amigos criem um desdém pelo seu novo amigo. Durante o florescer da amizade destes jovens, Jia-Han muito obviamente desenvolve um afecto forte pelo seu novo amigo, um que reflecte algo nele que prefere manter segredo dos outros, apesar de haver uma certa reciprocidade por parte de Birdy.
É uma história frequente desde há imenso tempo, mas o filme consegue criar uma poesia realista e deslumbrante, embora por vezes, desoladora. Numa década em que admitir esta sexualidade dá direito a ostracização massiva, o jovem tenta balançar a sua vida escolar com os seus sentimentos. Ao mesmo tempo que não quer ser renegado pelos seus pares, tenta viver a sua vida com Birdy como se nada fosse. Sendo a consumação um risco, reprimir tais sentimentos acaba por levar a um ponto de ruptura, e com hormonas adolescentes à mistura, vários confrontos se desenrolam. À medida que Jia-Han activamente se esforça por aceitar quem é, Birdy igualmente se esforça por reprimir os seus sentimentos.
A atracção está lá, inegavelmente, mas é compreensível a escolha do novo estudante, e até terno, em certas instâncias, o quanto ele tenta proteger esta amizade. O paço do filme pode parecer lento, mas é esta paciência que cria uma química credível entre os rapazes, ditado com gestos pequenos, linguagem corporal enganadora, olhares que fingem não reconhecerem o outro. A narrativa explica perfeitamente uma viragem na inocência desta idade. Várias cenas são de se partir o coração, em especial nota a da cabine telefónica vista em pósteres do filme, que ameaça tornar-se numa das melhores cenas desta nova década.
Ambos fazem parte do clube de banda, liderado pelo padre Oliver (Jean-François Blanchard). Jia-Han toca a trompete, um instrumento que não foi escolhido ao acaso. O realizador explicou que o vê como um instrumento que tenta dizer algo, mas não consegue. É um significado que reflecte exactamente o impedimento do nosso herói de expressar os seus sentimentos. Da mesma maneira, a trilha sonora do filme é composta quase exclusivamente pela trompete, inteligentemente ausente quando Birdy o mais está também. As tensões sentem-se com este equilíbrio, e a audiência consegue experienciar melhor o que vai na cabeça de Jia-Han.
Algumas ditas tensões podem também ser apreciadas nas sequências do jovem com o padre, colocando a questão da fé na história. Tendo vindo de uma comunidade católica, Jia-Han tenta entender como o seu amor é renegado pelos crentes, porque será diferente de o de um homem de deus com o seu senhor. Ele odeia o quão incondicional o seu amor é, indo ao ponto de cuidar de Birdy quando está chateado com ele. Sentindo-se julgado pela sociedade, fica desolado ao ser julgado também pela Bíblia.
Embora não seja extraordinário em termos técnicos, este simples filme conseguiu capturar algo tão precioso e tão fugaz nas vidas das pessoas. Um primeiro romance proibido, explicado de forma a que a audiência quase que o possa experienciar também. Your Name Engraved Herein pode muito bem tornar-se num clássico LGBTQ+, sendo o filme Taiwanês mais lucrativo do género, e tudo por uma simples razão: é uma história de amor, contada com amor.





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