De novo colaborando com o grande Mads Mikkelsen, o autor the The Hunt e The Commune escreveu uma comédia trágica, com o tema central de crises de meia-idade. Druk estreeou o ano passado no festival de Cannes, e a consequente distribuição foi feita um pouco debaixo do radar, mas digna de mais furor do que o que recebeu; uma história peculiar, excelentemente encenada.
Mikkelsen interpreta Martin, um professor de história do ensino secundário, um tanto ou quanto deprimido com a sua vida. Num jantar com os seus colegas e amigos, ele abre-se sobre como a sua vida estagnou, e se sente desiludido com a pessoa que se tornou. Não tem paixão nem pelo seu trabalho, nem pela sua vida em casa. Depois de uma noite bêbado e extremamente divertida, que o ajuda a levantar o seu espírito, um dos seus amigos propõe uma experiência: Segundo ele, o psiquiatra Finn Skårderud teorizou que manter um nível de álcool no sangue de 0,05% durante o dia, proporciona criatividade e relaxamento. O grupo de 4 professores decide experimentar por eles próprios, com a regra de parar de beber depois do jantar. Contudo, este novo dia-a-dia prova-se instável.
Curiosamente, referem quando têm de parar de beber como tendo a sua origem no escritor Ernest Hemingway. Um dos homens explica que o seu sucesso deu-se ao seu balanço cuidado entre vida, trabalho, e bebida. Contudo, ninguém parece querer mencionar como a vida do famoso artista terminou. Exactamente desta maneira é como os protagonistas encaram as tribulações que lhes aparecem. O joie de vivre que eles conseguem injectar nas suas vivências apenas é conseguido por ignorarem ativamente as consequências que a bebida causa no corpo e na mente humana. Pouco depois de eles escalarem o nível de álcool que devem manter, terceiros começam a notar em comportamentos invulgares e erráticos. Também é referido como a Dinamarca tem um nível de consumo de álcool extremamente alto.
Contudo, por outro lado, esta história consegue capturar a euforia caótica presente em bebedeiras sociais. Sturla Brandth Grøvlen envolve as cenas com cores quentes, imagens arrastadas com câmaras de mão, e vários planos propositadamente desfocadas. Outros veículos de narrativa usados incluem, mas não estão limitados a, filmagens de líderes mundiais intoxicados, de modo a conferir alguma comédia, até nos momentos mais negros e trágicos. À medida que o tempo passa, os tons tornam-se mais profundos e frios, enquanto que o diálogo torna-se mais escasso. Todos estes elementos criaram um absurdismo tangente à realidade, talvez comparável a The Idiots, de Lars von Trier, incidentalmente também dinamarquês.
Druk não incita à celebração do álcool, mas também não o renega por completa. Em vez disso, apenas apresenta uma reacção ao sonho Dinamarquês: há quem se identifique, e há quem não. Mas que nos é belamente apresentado, é inegável. Com um último acto de puro entretenimento, o filme provou que Vinterberg é das melhores exportações deste país com o nível de felicidade mais alto do mundo.





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