The Expanse | Temporada 5 - ★ 8,5/10

No âmbito de honestidade, começei a ver The Expanse cinco dias antes de acabar a quinta temporada, e foi uma jornada incrível. Como tal, vi este último capítulo depois de um curso intensivo neste mundo interplanetário, que me contextualizou bem.

Com uma estrutura episódica muito cuidada, a série desenvolvida por Mark Fergus e Hawk Otsby chegou a níveis novos de qualidade e de construção de mundo, sem nunca esquecer o material base da dupla James S. A. Corey.


Meses depois dos eventos em Ilus, a Rocinante encontra-se em Tycho para reparações longas. Como tal, a equipa da nave aproveita a oportunidade para tratarem de assuntos pessoais. Amos (Wes Chatham) dirige-se a Baltimore, depois de décadas fora, para ir ao funeral da sua mãe adoptiva; Alex (Cas Anvar) encontra-se em Marte, a tentar reconectar com a sua família; e Naomi (Dominique Tipper) tenta encontrar o seu filho afastado algures no Belt. Além desta temática de regresso a casa, simultaneamente tanto Chrisjen (Shohreh Aghdashloo) como Holden (Steven Strait) fazem os possíveis para lidar com a ameaça eminente de Marco Inaros (Keon Alexander), o antagonista principal desta temporada.


Imensas respostas foram dadas nestes episódios. Além do desenvolvimento pessoal dos nossos heróis (e uns anti-heróis), vários passados foram revelados. No entanto, isto não foi-nos apresentado de uma maneira que desse fadiga de esposição. Houve linhas narrativas concluídas, mas muitas outras sofreram transformações que permitiram que elas continuassem por mais anos. Com este método de evolução, estes episódios proporcionaram um clímax de inúmeros eventos passados, e ainda assim, também um prólogo para futuras tribulações. Em particular, Tipper recebeu uma profundidade ainda maior do que o que já tinha, expandido no seu papel de Mãe. A actriz interpretou Naomi estupendamente, trazendo ao de cima trauma e desespero nunca antes tão bem expostos nesta aventura.

Lost foi outra série de ficção-científica bastante inclinada no mistério; infelizmente, foi uma que deu dez perguntas para cada resposta que apresentava. No seu final, inúmeras coisas ficaram inexplicadas. The Expanse, no entanto, também se debruça imenso no mistério (fortemente entrelaçado com política), mas preocupa-se mais em levar o espectador na mesma jornada que as personagens no ecrã. Pode não elucidar logo de seguida, mas isto apenas força a audiência a tentar conectar os pontos por ela mesma, e acaba sempre por impressionar.



No último episódio do capítulo passado, Marco lançou asteróides em curso para o planeta Terra. Ao invés de lançarem todos os episódios de uma vez, como na quarta temporada, desta vez a Amazon distribuiu apenas três no dia de estreia, desta maneira criando um suspanse imenso para o ataque que apenas era conhecimento da audiência. Várias referências foram feitas ao longo deste primeiro acto, culminando no primeiro destes bombardeamentos, e forçando o espectador a desenvolver uma certa ansiedade para ver os eventos seguintes. Foi uma maneira inteligente de começar a temporada, inclusive com personagens principais extremamente afastadas umas das outras, para que se pudesse seguir as suas histórias e perspectivas individuais.

Não obstante, a criatividade cenográfica foi elevada a um nível superior ao dos anos passados. As linhas narrativas em Baltimore invocaram o mesmo carácter western usado durante parte da quarta temporada, com planos panorâmicos de uma cidade devastada pelos efeitos secundários de uma tragédia a nível global. Amos faz a sua jornada pela costa Este dos Estados Unidos muito ao estilo de horror e desastre, como talvez The Walking Dead ou 2012, mas com menos intensidade material, e mais psicológica. Luna também usou esta cinematografia especial, e dados os temas socio-políticos envolvendo Chrisjen, o resultado foi de um de thriller político, repleto de tensão e jogadas de poder. Embora, por vezes, um grande número de jornadas individuais podem significar menos profundidade e tempo de antena para os elementos centrais, estas foram perfeitamente incorporadas umas nas outras, criando uma história com o valor total da soma das suas partes.


Cas Anvar foi despedido, justificadamente, dadas as acusações de conduta sexual no set. A saída de Alex foi feita um pouco à pressa, mas orgânica o suficiente para separar a personagem do actor, dando-lhe um final que fizesse justiça ao piloto por quem nos apaixonámos.

Com paralelos realistas, actuações brilhantes, e um mundo cuja estabilidade encontra-se corrompida, The Expanse tornou-se este ano na melhor série de ficção-científica dos últimos tempos. Mais que o seu género principal, é uma aventura que conta histórias humanas, num mundo fictício. As expectativas para o próximo ano (supostamente final) estão bem altas, e muito confiantes.



Fotos: IMDB.com/Amazon







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