The Wolf of Snow Hollow - ★ 8/10

Depois de vagas de zombies, vampiros, e outras criaturas fantásticas, Jim Cummings chega-nos com uma comédia negra centrada num lobisomem. Realizado, portagonizado, e escrito por ele, este filme encontra um balanço cuidado entre o drama realista, e risos consequentes, com trabalho técnico muito polido.


Durante um forte Inverno em Snow Hollow, Utah, uma jovem rapariga é violentamente assassinada por nenhuma aparente razão. Dada a ausência de tal criminalidade nesta vila silenciosa, o departamento do xerife, do qual John Marshall faz parte, não presta a maior atenção ao caso. No entanto, quando mais homícidios acontecem, é claro que eles têem de devotar toda a sua atenção a apanhar o assassino. Pai divorciado, e ex-alcóolico, John tem também de lidar com uma força policial dolorosamente desnaturada, e o xerife, seu pai (Robert Forster), que não aparenta ter a melhor saúde.


O filme faz esforços extremos para capturar um ambiente muito peculiar. Sequências longas, que rapidamente se estão a tornar uma característica de Cummings, são usadas frequentemente. Grande parte delas envolvem vária exposição a ser ditada, e inúmeras personagens a dependenderem do protagonista. Além do seu vício, ele também lida com problemas de raiva, que são postos no holofote durante estas sequências, perfeitamente embelezadas com banda sonora frenética, quase ensurdecedora. Além disto, por várias vezes as personagens olham para o centro da quarta parede, de maneira a que parecem estar em busca de algo, apenas para desarmar a audiência e revelar o objecto no qual estava a sua mira. A essência do filme é bem traduzida por esta última peculiaridade, pois a substância passa, por grande parte, pela atenção aos detalhes.

A história tem uma estrutura bastante vulgar, e o caminho pelo qual percorre está repleto de veículos de narrativa básicos. Estas características não degrinem a qualidade, pois a maneira como são usadas é de extremo cuidado. Tal cuidado esse, que princípios comuns como Macguffin's e a Arma de Chekhov passam despercebidos se o espectador não estiver atento. Com camadas atrás de camadas, e pistas falsas atrás de pistas falsas, o desfecho do filme foi bastante bem executado, e inesperado. Apesar da negatividade e instâncias depressivas no decorrer da história, um balanço foi encontrado entre o realista e o surreal, de modo a que uma pessoa se pudesse rir nos eventos mais absurdos.


Misterioso e apreendedor, The Wolf of Snow Hollow foi uma surpresa agradável, depois de uma vaga de sobrenatural que parecia não acabar. Foi também um filme que cimentou o lugar de Jim Cummings como realizador bastante original.



Fotos: IMDB.com







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