Pieces of a Woman - ★ 5,5/10

Produzido por uma longa lista de cinematógrafos, incluindo Sam Levinson e Martin Scorcese, Pieces of a Woman apareceu na Netflix o ano passado. Com um elenco bem versado, e um bom realizador teatral Húngaro pelo nome de Kornél Mundruczó, este filme que prometia destacar-se dos inúmeros irmãos da sua casa, apenas se perdeu nesse grande mar.


Vanessa Kirby interpreta Martha, uma mulher extremamente grávida. Shia LaBeouf interpreta o seu leal marido, eternamente em conflito passivo-agressivo com a sua Mãe (Ellen Burstyn). De classe média-baixa, levam uma vida relativamente normal, até ao dia em que Martha começa a entrar em trabalho de parto. A sua parideira encontra-se indisponível, e manda uma colega, Eva (Molly Parker) no seu lugar, que tenta fazer o seu melhor. Depois de um parto mais difícil do que o normal, o casal recebe na sua cama uma bebé rapariga. Infelizmente, após apenas uns segundos, a recém-nascida começa a sufocar, e sofre de uma morte prematura, justamente quando a ambulância chega. E isto tudo é o começo do filme.


O acto de abertura é intenso e apreendedor. A sequência do trabalho de parto, contínua e sem cortes, toma conta do acto, contabilizando pouco mais de 23 minutos. Muito coreografada, fez bom uso dos quartos e corredores da casa, aumentando a tensão aos poucos, à medida que as coisas corriam mal. Infelizmente, tornou-se no ponto alto da metragem, tanto pelo seu peso visual, como pela restante insuficiência qualitativa dos actos conseguintes.

Ao colocar um clímax narrativo no início, os restantes eventos sofreram ao tentar capturar o mesmo interesse. Apesar de os detalhes polidos e diálogos cuidados, a estrutura e o conteúdo pareceram demasiado previsíveis. A originalidade, ou falta de, não tiveram nada a ver com a situação - apenas foi um caso em que não havia nada de novo para dizer. Não se pode dizer que foi uma má história, ou uma boa mal contada; parece é que podia ter sido escrita e filmada como um projecto final num curso superior de cinema. Há quem possa argumentar que este luto extremo trouxe à flor da pele as verdadeiras cores destas personagens, que outrora aparentavam ser extremamente normais. De facto, isso foi conseguido, mas não foram reacções e consequências propriamente peculiares. Isto faz com que esta história seja uma repetição de tantas outras que já foram contadas.


Os actores fazem o filme. Além de Shia estar excelente, e Burstyn provar que ainda tem muito para dar, Kirby mostra-nos que The Crown não foi, de longe, o papel da sua vida. Contudo, não foram o suficiente para salvar este projecto.

Se há algo que Pieces of a Woman consegue dizer, é que é o cúmulo da mediocridade do medium em que se encontra.




Fotos: IMDB.com/Netflix







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