Zack Snyder's Justice League - ★ 7/10

Imensas coisas correram mal durante a rodagem de Justice League, o que levou a ser bastante renegado pelos fãs. Zack Snyder decidiu deixar o projecto a meio, depois da trágica morte da sua filha, e o agora controverso Joss Whedon tomou as rédeas. Tantas coisas foram mudadas durante as filmagens e pós-produção, que se tornou num dos filmes mais inconsistentes dos últimos anos.

Contudo, depois de um pedido universal dos fãs para Snyder voltar a envolver-se no projecto, cerca de 70 milhões de dólares foram gastos para lançar uma versão mais fiel à visão do realizador. Lançado na HBO Max, Zack Snyder's Justice League mostra-nos uma história de super-heróis vulgar, deslumbrantemente feita.


Dois anos depois da morte de Clark Kent/Super-homem (Henry Cavill), antiquíssimas relíquias chamadas Mother Boxes começam a reagir, e consequentemente estas vibrações chamam a atenção de Steppenwolf (Ciarán Hinds). Depois de este matar grande parte da nação de Themyscira para conseguir uma das caixas, Bruce Wayne (Ben Affleck) e Diana Prince (Gal Gadot) decidem juntar meta-humanos com o intuito de formar uma equipa que possa defender o planeta, na guerra que está a caminho.


Originalmente envisionado como uma mini-série, o produto final acabou sendo um filme de nem mais nem menos de quatro horas, com seis partes e um epílogo. Esta estrutura invulgar ajudou a introduzir melhor as personagens que não tinham filmes de origem. Houve tempo suficiente para percebermos a dor de Victor Stone (Ray Fisher), e entendermos bem o contexto social de Barry Allen (Ezra Miller). Além do mais, o tempo extensivo deu lugar para batalhas bem coreografadas, e muito detalhadas, sem serem exageradas.

Enquanto que não houve propriamente fadiga de acção, dada a excelente e bela cinematografia e fotografia, houve no entanto uma exaustão para com a história. Snyder até mencionou que preferia que os espectadores vissem por partes, e que fizessem intervalos a cada três quartos de hora. Se tirássemos a cena em que Aquaman (Jason Momoa) bebe whiskey e atira uma garrafa de vidro ao mar, a revelação inútil de Marian Manhunter (Harry Lennix) que pouco ou nada trouxe à história, e a visão/sonho/premonição pós-apocalíptica que insistiu em incluir o pior Joker da história (Jared Leto), cortava-se uma boa hora disto tudo.


Embora uma pessoa tenha de respeitar a visão do realizador, um filme que não se consegue ver de um trago talvez mereça uns quantos cortes. Não ao ponto extensivo de se tornar no horror de 2017, mas demasiada substância pode, por vezes, ser mais uma maldição que uma benção. Verdade seja dita que das várias liberdades criativas, muitas delas funcionaram a favor, como a rodagem em proporção 4:3, e uma palete de cores muito contratastada e suave. Isto tudo conferiu um ambiente repleto de instabilidade social, e incerteza global, com paisagens a condizer, e cenografia perfeita.

Por outro lado, se 240 minutos de estética atraente não têm uma história a condizer, perde-se imensa qualidade. Os eventos que procederam a revelação das Mother Boxes foram certamente interessantes. Mas tem de ser admitida a quantidade de super-heróis que existem nesta liga sem quaisquer falhas. Cyborg e Batman são protagonistas com passados atribulados, o que significa que têm falhas, e com essa falhas, vêm riscos que mantêm a história apreendedora (e mais camadas são reveladas com esta versão extendida). Dito isto, Wonderwoman e Superman são de novo seres extremamente poderosos sem qualquer coisa que os possa parar. A heroína em específico parece ter todas as suas cenas para mostrar uma característica distinta tradicionalmente feminina: é mostrada como sendo maternal, amorosa, generosa, justa, forte, empática, inteligente, e a este ponto da corrida, é apenas mais do mesmo, cada vez que ela aparece no ecrã.


Felizmente hoje em dia existem serviços de streaming que podem ser uma melhor casa para realizadores que se sintam presos pelas produtoras. Sem influências da Warner Brothers, esta versão de Justice League foi boa, e infinitamente melhor que a versão anterior.

Contudo, ao final do dia, é apenas mais um filme de super-heróis. A longevidade não justificou porque é que isto foi feito, apesar de se poder tirar felicidade de Snyder poder ter acabado o seu projecto depois de eventos trágicos. No entanto, chamando as coisas pelo que elas são, Justice League é um filme bom, deslumbrante, mas desnecessariamente longo, e narrativamente medíocre. A DCEU prova, mais uma vez. que ainda não sabe exactamente como criar uma linha narrativa consistente.



Fotos: IMDB.com/Warner Brothers/HBO







Comentários